Eu gostaria muito de acordar meio dia. Queria muito mesmo. Infelizmente isso não ocorreu. Tive que acordar às 9:30 para resolver uns problemas que apareceram de última hora. Tudo bem, tudo bem... Pelo menos os problemas foram resolvidos.
Cheguei em casa e almocei. Fiquei no PC e tal, e depois fui assistir a vitória do meu glorioso time em cima do porco freguês. No segundo tempo, caí no sono e dormi o equivalente a duas horas e meia. Fazendo um cálculo muito simples, temos: 9:30 + 2 horas e 30 minutos = 12 horas! Viva! o/ Tinha dormido até ao meio dia, mesmo que de forma parcelada.
Quando pensei em ficar contente com isso, e contar aos meus irmãos, algo muito incomodante aconteceu. Um som alto e gritante tomou conta da sala de casa. O ritmo dançante e frenético acompanhado de letras repetitivas, com um apelo sexual não deixava dúvidas: tava rolando um pagodão na casa do vizinho. (ou axé, como é conhecido em muitos lugares do Brasil)
Aliás... vamos aos esclarecimentos: Nada contra o ritmo em si. Devo admitir que a levada e o balanço do ritmo é muito interessante. Na minha opinião, o que estraga de fato todo esse balanço interessante e contagiante, são as “letras” que fazem parte desse movimento. “Rála a tcheca no chão (ou no asfalto)”, “olha o badalo do negão”, “pegue na minha e balance”, “perereca pra frente, perereca pra trás”... poderia citar várias canções que estão carregadas de sentidos dúbios.
Juntamente a isso, vem um fator que está presente em todo tipo de festa que envolve um som alto entre jovens: bebida alcoólica. Não tenho nada contra a bebida, ou contra quem bebe. Não sei se já percebeu, mas respeito qualquer tipo de manifestação do ser humano por mais estranha que ela possa ser. O que me preocupa de verdade é o que está implícito a tudo isso, as conseqüências e os riscos que muitos desses jovens correm em momentos como este.
Pode me chamar de careta. Gosto disso até... Porém, não sejamos tão ingênuos. A bebida alcoólica não é o grande problema, mas colabora demais para muitas tragédias, haja vista a redução de acidentes de trânsito após a lei seca. O maior problema é a necessidade de auto-afirmação das pessoas em alguns grupos. Isso é algo absolutamente normal, porém têm os seus pontos negativos presentes em maior proporção, variando de grupo para grupo. Algumas necessidades apresentadas em tribos como a do pagode e da bebida, faz com que algumas pessoas se exponham ao ridículo, bebam até passar mal e falar besteiras, ou dance feito um louco. E pode acreditar. Se você pretende fazer parte de um grupo como esse, e não fizer o que o grupo “pede” você será considerado um eterno “estranho no ninho”. E esclarecendo novamente: isso não acontece apenas nesse grupo citado.
Porém há algo que me incomoda nisso tudo. Vou relatar resumidamente o que aconteceu: enquanto rolava a música e a bebedeira, fui até a garagem e tirei o carro para ir comprar pão e outras coisas para comermos aqui em casa. Assim que coloquei o carro pra fora me deparei com duas jovens muito lindas que faziam parte dessa festa, que me olharam de cima a baixo, com um olhar carregado de sensualidade. Era algo estranho. Parecia que ela queria me levar para cama pelo simples fato de aparecer ali e tirar aquele carro da garagem. E isso me deixou constrangido. Fiquei imaginando o que aquela garota não faria nessa noite ou em anteriores em nome de uma vontade proporcionada por algumas latas de cerveja. Há realmente quem curta isso. Dizem que as mulheres ficam mais fáceis. Continuo respeitando tudo isso, porém acho muito estranho. Acho estranho, essa coisa de ficar por ficar, para realizar desejos e vontades carnais com uma pessoa, sem que haja pelo menos aquele interessante momento de paquera, e depois vê-la partir e dizer: Estou aliviado. Nada contra ficar. Até faço isso também. O que não acho legal é fazer isso por estar embriagado, e não lembrar o que aconteceu na noite anterior.
Por fim, isso me fez pensar em outra coisa também. Algo que eu odeio, mas sou forçado a concordar devido aos fatos que me rodeiam. Como já falei em post anteriores, sou baiano, moro na capital do carnaval mundial. E certas coisas que acontecem aqui, são infelizmente espalhadas para o resto do país e até do mundo, gerando motivos imensos para piadinhas infames relacionadas a estereótipos. Então, fecharei meu post com um vídeo que faz uma verdadeira sátira a um dos nossos estereótipos, e logo após um vídeo com uma música de pagode da banda Fantasmão que eu realmente acho muito interessante e retrata muito bem uma parte maior do povo soteropolitano. Ainda há muita coisa boa sendo feita aqui na Bahia. Que você possa ter entendido a minha mensagem e que ela sirva de reflexão também para você.
